Mostrando postagens com marcador review. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador review. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Viver e morrer em Los Santos - Review GTA V

Grand Theft Auto V é um dos melhores jogos dos últimos anos. Não seria nenhum exagero dizer que provavelmente GTA VI também será um dos melhores jogos de sua época da mesma forma que GTA IV foi quando lançado em 2008. A Rockstar conquistou o mérito quando definiu os padrões necessários pra um jogo de mundo aberto ao lançar GTA III. Raras são as vezes que um jogo define todo um estilo e esse é o caso com a série GTA.


Dito isso, tenha em mente que GTA V manteve a tradição de abandonar boa parte do que não funcionou nos jogos anteriores, juntar tudo que melhorou e inovar, dessa vez trazendo a possibilidade de se jogar com 3 protagonistas, os carismáticos Michael, Franklin e Trevor. Existem alguns problemas aqui e ali como a mira truncada, a dificuldade dos controles ao pilotar helicópteros e aviões e os sempre presentes bugs e glitches que acabam consertados logo após o primeiro mês com o jogo lançado mas nada disso tira o brilho e a grandeza do jogo. Os gráficos do jogo são excepcionais e consomem todo o potencial dos consoles da atual geração, por mais que alguns personagens ou texturas não estejam tão detalhados e algumas sombras insistam em aparecer com serrilhados, vale lembrar que o mapa do jogo é vasto e praticamente sem nenhum loading além do loading inicial. The Last of Us pode ter os gráficos mais bonitos entre os jogos lançados em 2013 mas mesmo assim, não há como comparar a magnitude de ambos no que se refere ao tamanho dos cenários em GTA V. No que se refere aos controles, o jogador deve ter muita paciência ao aprender a pilotar aviões e helicópteros, os controles são um pouco truncados e exigem uma perícia maior que a exigida ao dirigir um carro, por exemplo.



GTA V é uma grande referência à cultura pop desde a conquista que se ganha ao fechar o modo campanha lembrando o clássico Viver e morrer em Los Angeles do diretor de Exorcista, William Friedkin, ao estilo do gameplay pra cada personagem. Os filmes nos cinemas, os programas na TV, as várias opções de rádios, as situações com os personagens do jogo, tudo remete a alguma referência na cultura pop seja com filmes policiais e todos os seus clichês até paródias das animações da Pixar (vá ao cinema conferir!), vale até mesmo tiradas com o seriado Breaking Bad. A trilha sonora emula o clima visto em GTA Vice City que já trazia muito do seriado dos anos 80, Miami Vice, repetindo com isso um ciclo sem fim de autorreferências, algo que deixaria alguém como o diretor Quentin Tarantino orgulhoso. A música frenética que embala o prólogo do jogo em Nova Yorktown no roubo ao banco por Michael e Trevor é só uma das muitas compostas pelo grupo Tangerine Dream que trazem o clima do jogo.


Jogar com o Michael remete diretamente ao clima dos filmes policiais dos anos 80 e 90, deixando a impressão de que a qualquer momento iremos encontrar o carismático Axel Foley (Eddie Murphy) de Um tira da pesada ao andar por Los Santos, ele ou mesmo a dupla Riggs (Mel Gibson) e Murtaugh (Danny Glover) de Máquina Mortífera. Os diálogos, as rádios, tudo remete ao clima da época em que o personagem insiste em reviver, até os ternos com ombreiras que Michael usa lembram as roupas de Sonny (Don Johnson) e Tubbs (Phillip Michael Thomas) em Miami Vice. A família problemática de Michael já remete ao seriado da HBO, Os Sopranos, onde os problemas ao redor de um gangster eram o destaque na narrativa. Vale destacar o jogo favorito do filho do Michael, Jimmy, o "Call of Duty" genérico chamado Righteous Slaughter, notem a propaganda do jogo nas rádios destacando que o jogo tem uma versão lançada por ano e vocês vão sacar a piada.



Franklin é o personagem padrão de GTA, o garoto de gangues que quer subir na vida, que conhece as ruas, sabe como se virar nelas e que de esquema em esquema acaba encontrando alguém pra ajudar ele em sua ambição. Ao jogar com o Franklin vemos as ruas, a periferia e sua cultura com o hip-hop e raps rolando soltos nas rádios, diálogos cheios de gírias e coadjuvantes excepcionais como o grande Lamar, parceiro das quebradas de Franklin. Um ponto interessante da trama de Franklin e uma das muitas críticas à crise econômica vivida nos EUA que o jogo traz é quando o jogador controla Franklin pela primeira vez. Ele e o parceiro Lamar recuperam carros comprados a juros altíssimos de pessoas que compram na base do impulso sem perceber as condições abusivas do negócio feito e não dão conta de pagar as prestações, algo recorrente nos EUA nos últimos anos. Essa e muitas outras situações da vida real estão presentes no jogo, algumas mais sutis outras muito mais escancaradas.



O paranoico Trevor já traz outro tipo de referência ao jogo, sua entrada quebra o ritmo da narrativa bem no ponto em que a parceria entre Michael e Franklin está dando frutos, logo após o primeiro grande assalto do jogo. Trevor lembra os "caipiras" nos EUA, os rednecks com seus maneirismos e hábitos como por exemplo, caçar. Muito do personagem lembra elementos da série Breaking Bad tais como os surtos de violência, o trabalho com as meta-anfetaminas ou mesmo o ambiente onde ele vive, coincidência ou não, ele mora em um trailer. Muito do carisma do personagem surge ao longo do jogo quando o jogador percebe os motivos pra todos os problemas de Trevor e o quão estranhamente direto e honesto ele pode ser. A personalidade explosiva dele transparece nos diálogos e na trilha cheia de metal das rádios que Trevor escolhe ao dirigir.



GTA V pode ter muitos clichês em sua trama mas isso é o que se espera dos filmes de ação, mesmo os clássicos como Bullit e Operação França tinham vários clichês nas tramas. O interessante de GTA V está nas referências, nas críticas e na diversão que se tem ao poder trocar de personagem a qualquer momento durante o jogo. O vasto mundo aberto enche o jogador de opções caso queira fugir das missões principais ou mesmo as secundárias, você pode comprar desde um dos cinemas até o campo de golfe em Los Santos, pode praticar tênis, ioga, tiro ao alvo, participar de corridas e até mesmo pedir uma dança privada no bar das strippers. É impressionante o número de detalhes mostrados em Los Santos desde os diálogos dos personagens que andam pelas ruas até as reações dos mesmos personagens quando começa uma chuva e eles procuram abrigo ou mesmo quando fogem ao ouvir a sirene da polícia.



O novo GTA é um dos jogos favoritos ao prêmio do jogo do ano em 2013 e não é por acaso, mesmo quem não gosta do estilo do jogo ou não é fã da série, corre sérios riscos de gostar do novo GTA, tamanha a liberdade que o jogo oferece ao jogador. Se você quer uma dica de um jogo que vai render muitas horas de diversão na campanha e ainda mais horas no multiplayer, GTA V é a pedida ideal.


GTA Online

O modo online entrou em operação no começo de outubro com vários problemas de conexão, bugs e até mesmo perdas de personagens. Infelizmente essa é uma realidade constante em lançamentos desta magnitude e nenhum review pode fazer justiça aos problemas enfrentados no começo do multiplayer de jogos assim, é sempre necessário um tempo pra que os devidos ajustes sejam feitos pra que a conexão melhore bem como atualizações que corrijam os bugs e problemas com personagens. Dito isso, GTA Online está de parabéns já que agora está funcionando bem melhor, inclusive com o conteúdo Beach Bum Pack distribuído gratuitamente aos jogadores, trazendo novos carros, armas e opções pro modo multiplayer. A Rockstar ainda está disponibilizando um reforço de U$500 mil em dinheiro no jogo pra ajudar os jogadores iniciantes. Em novembro começam os eventos que prometem juntar as gangues em missões especiais em Los Santos, tudo pra manter o multiplayer do jogo em alta com os jogadores. O jogador pode alternar pro modo online a qualquer momento na campanha e criar seu personagem ao seu gosto, feito isso o jogador pode escolher o que fazer nas ruas de Los Santos, o lance é ganhar dinheiro e investir no mundo do jogo que permite a compra de imóveis, veículos, armas, tudo o que estiver à venda em Los Santos.



quinta-feira, 27 de junho de 2013

The Last of Us, a surpresa da Naughty Dog na despedida do Playstation 3

As melhores estórias de zumbis não giram em torno dos desmortos e sim dos sobreviventes. Isso vale desde o clássico absoluto de George Romero A noite dos mortos-vivos ao seriado de sucesso da Fox, The Walking Dead, baseado nas famosas HQs de Robert Kirkman. Quando a Naughty Dog, reconhecida pela série Uncharted, anunciou The Last of Us pra Playstation 3, muitos acharam que um Uncharted com zumbis estava a caminho. Eis que a Naughty Dog resolveu surpreender a todos, entregando uma trama épica, com protagonistas fortes e coadjuvantes profundos e que, tirando elementos de jogabilidade, muito pouco lembra a série de aventuras de Nathan Drake. O jogo pode ter bugs gráficos e de áudio bem como problemas inerentes à jogabilidade em jogos de tiro em 3ª pessoa mas todos esses pormenores acabam ficando em segundo plano perto do que The Last of Us representa.

Um Uncharted com zumbis ou uma grande surpresa?

Por mais que o destaque da narrativa seja voltado aos sobreviventes, The Last of Us entrega uma solução inovadora ao gênero: uma pandemia causada por um fungo que realmente existe, uma variação do Cordyceps, o Cordyceps Unilateralis. Esse fungo invade o sistema nervoso de insetos modificando seu comportamento em benefício do fungo parasita, tornando o inseto uma espécie de zumbi. A equipe da Naughty Dog teve a ideia ao assistir um documentário da série Planet Earth, eles só especularam a possibilidade do fungo sofrer uma mutação que passasse a afetar seres humanos. No universo do jogo, o fungo se reproduz através de esporos que infectam a pessoa e se instalam no sistema nervoso central, brotando de dentro pra fora, por isso o visual bizarro dos infectados, pessoas com "cogumelos" saindo de suas cabeças. A infecção se dá ou pela respiração do esporo do fungo em áreas contaminadas ou pela mordida de um infectado, tal como acontece com zumbis. A ideia do Cordyceps dá um novo fôlego criativo ao já desgastado gênero "terror com zumbis", renovando o conceito pra apresentar uma trama mais profunda não apenas pelos personagens mas pelos detalhes em torno da pandemia que dá ritmo à narrativa.

O efeito da infecção do Cordyceps Unilateralis em uma pobre aranha...

O jogo começa com um prólogo abordando o começo da pandemia do ponto de vista de Joel, um dos protagonistas, sua filha Sarah e seu irmão Tommy. Essa parte funciona mais como uma introdução aos personagens que uma fase tutorial propriamente dita, tanto que o jogador começa controlando a Sarah em busca do pai na casa da família. No fim do prólogo o jogador presencia a tragédia do passado de Joel, logo no princípio do caos generalizado causado pela pandemia, quando ele tenta fugir com a filha e o irmão. Joel vê sua filha Sarah morrer em seus braços sem poder fazer nada até que acontece um corte pra uma breve exposição do surto da pandemia durante os créditos iniciais do jogo, lembrando a abertura do remake de Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder. Ficamos sabendo então que 20 anos se passaram e é verão quando conhecemos o sobrevivente e amargurado Joel, desgastado pelo tempo, sisudo e quieto, ao contrário de sua nova parceira Tess, ativa e inquieta. Ficamos sabendo que eles levam a vida como contrabandistas em Boston, ganhando a vida com a escassez de recursos e mantimentos.

Joel e Tess

Logo de cara os fãs de Half-Life vão perceber que o jogo lembra muito o clássico da Valve. Enquanto Joel e Tess andam pelas ruas controladas pelos militares de Austin, os NPCs interagem entre si e com o jogador. Uma cena forte se passa logo que Joel e Tess saem de casa quando um grupo militar faz uma verificação em busca de infectados em um grupo de civis, um deles está infectado com o fungo e é prontamente executado com uma seringa por um dos oficiais enquanto outro tenta fugir e ali mesmo é fuzilado enquanto tudo que o jogador pode fazer com Joel é testemunhar o ocorrido. Se aproximar dos militares é pedir pra levar um empurrão e um aviso pra sair dali. Sutilmente o jogo informa que nesse futuro a pandemia foi contida pelos militares, que nessa sociedade detém o poder e mantém as cidades em lei marcial, contudo infectados aparecem aqui e ali e são prontamente eliminados sem cerimônia, quem reage é prontamente executado. Instantes depois acontece um ataque dos Vagalumes, um grupo rebelde que enfrenta os militares e se oferece como alternativa ao governo ditatorial, declarando buscar uma solução pra pandemia.

A presença dos militares é uma das ameaças constantes no jogo

Passado o breve tutorial e enfrentados os primeiros inimigos conhecemos a outra protagonista do jogo, Ellie. Uma adolescente comum, inocente e feliz mas determinada a cumprir sua missão, perfil que aos poucos vai mudar drasticamente ao longo da jornada. A partir do encontro dos protagonistas o jogo se revela praticamente um road movie já que de agora em diante a jornada de Joel e Ellie dita os acontecimentos até o final do jogo. O percurso da dupla começa em Boston, passa por Pitsburgh, Salt Lake City e volta ao fictício Jackson County, em Wyoming, no final, tudo ao longo das 4 estações do ano que passam em sua jornada. Tudo que pode se dizer sem entregar spoilers da trama é que a dupla encontrará situações inesperadas seja com outros grupos de sobreviventes ou mesmo infectados. O jogo é tenso, com um clima infeliz e não vai poupar o jogador de momentos difíceis ou dar fôlego pra se recuperar dos acontecimentos chave do jogo nas praticamente 20h de jogo. A relação entre Joel e Ellie é o ponto chave da trama e representa a busca de Joel por redenção com o próprio passado trágico. É interessante notar o cuidado com os diálogos da dupla e como a relação entre Joel e Ellie vai se desenvolvendo ao longo do jogo, mostrando a mudança de comportamento de um com o outro e o quanto eles dependem um do outro pra sobreviver até o final da jornada. Outro ponto interessante é perceber ao longo do jogo que o pior inimigo não é o fungo ou os infectados e sim os sobreviventes. Ponto pra Naughty Dog pela ousadia de colocar o quanto "os últimos de nós" podem tornar o mundo um lugar pior, mesmo após uma pandemia terrível dizimar boa parte da população.

Joel e Ellie em sua viagem pelo país

O jogo toma aspectos de um survival horror em ambientes fechados e escuros, com pouca munição e recursos, isso até quando de repente o ambiente aterrador e claustrofóbico muda pra uma paisagem exuberante cheia de vida com a natureza tomando conta do que restou das cidades por onde o jogador passa, quebrando com qualquer chance de rotular o jogo como um survival horror. Não há como enquadrar o jogo num nicho específico, o gameplay varia em diversas situações. O que se pode dizer é que a melhor linha de ação é evitar o confronto, seja com infectados ou sobreviventes hostis, quanto mais o jogador economizar munição, melhor, mas se o jogador optar por jogar como se estivesse jogando um jogo de ação frenética, tudo bem, a dificuldade aumenta com a escassez de recursos e a ferocidade dos ataques inimigos mas não é impossível tomar esse tipo de curso no gameplay. O melhor é seguir o que os personagens repetem ao longo da trama "faça cada bala valer a pena". The Last of Us não é um jogo fácil quer o jogador escolha evitar o confronto jogando furtivamente ou optar por enfrentar diretamente todos os inimigos.

É melhor evitar o confronto e ser furtivo que gastar a escassa munição no jogo

Entre os infectados, existem 3 variações básicas: o estágio inicial com os corredores que ainda são capazes de enxergar, os estaladores cujo fungo que brota de dentro do cérebro já tomou a cabeça fazendo com que eles percam a visão mas contem com uma audição aguçada, e os vermes cuja infecção se espalhou por todo corpo. Tanto os estaladores como os vermes podem matar o jogador de imediato, basta apenas se aproximar deles. E acredite, existem trechos repletos de estaladores à espreita. Os corredores também não facilitam, basta um pequeno grupo encurralar o jogador e a morte também é certa. Os vermes são raros mas quando aparecem dificultam muito pois são capazes de atacar à distância lançando esporos no jogador.

Os estaladores não perdoam, um erro significa voltar ao chckpoint anterior

Entre os oponentes humanos, os tiros causam um dano considerável e não basta tomar cobertura pra evitar as balas inimigas, em vários momentos enquanto se atira em um adversário, outro vem cercar o jogador e intensificar o ataque seja atirando também ou com armas brancas como tacos, facões ou canos. Por isso, quando o confronto é iniciado, melhor terminar logo com os adversários antes que apareçam mais reforços ou a situação só vai piorar.

Surpresa...

 O arsenal do jogo é bastante variado e pode ser atualizado com peças encontradas ao longo do jogo. Da mesma forma as habilidades também podem ser evoluídas seja com o aumento da saúde de Joel, da habilidade com a arma ou mesmo com a faca, permitindo se defender de estaladores sem que estes matem o jogador de imediato, facilitando um pouco os confrontos. Os itens como facas, medpacks e bombas podem ser construidos pelo jogador com pedaços que são encontrados no cenário. Além disso existem vários colecionáveis ao longo do caminho como pingentes dos Vagalumes, HQs pra Ellie, cartas de sobreviventes, mapas ou mesmo manuais que ajudam a aumentar dano nas armas ou a capacidade dos medpacks. O mais interessante é que pra fabricar itens, melhorar as habilidades, aplicar um medpack ou mesmo visualizar um colecionável, Joel para pra acessar sua mochila, ficando vulnerável enquanto estiver executando a ação podendo ser morto a qualquer momento caso tenha algum inimigo por perto. Isso aumenta ainda mais a tensão do jogo.

Acessar o inventário pode ser tenso

Mas nem tudo são flores e mesmo com todos esses pontos positivos, The Last of Us tem seus problemas. A dublagem em português brasileiro ficou muito boa, o problema é que o áudio tem problemas em vários momentos durante o jogo quando Ellie e Joel conversam. Pode se ouvir bem a fala do Joel mas quando ele está longe da Ellie mas mal se ouve a resposta dela, isso quando se pode ouvir. Fica impossível jogar sem legendas e entender tudo que os personagens falam só de ouvido. O problema é que as legendas nem sempre batem com a dublagem e em alguns momentos sequer foram traduzidas pro português. A situação das conversas não ajuda também quando se entra no modo furtivo pra eliminar um inimigo, por vezes a Ellie ou outros companheiros falam em situações inadequadas, entregando sua posição pro inimigo mesmo quando se planeja um ataque furtivo. Um exemplo disso é no cemitério, por mais que se mate a maior parte dos estaladores sorrateiramente com a faca, em um dado momento ou Bill ou a Ellie entregam sua presença, impossibilitando que se mate todos os estaladores da área furtivamente. Infelizmente não há um comando que faça com que os companheiros parem em um determinado local esperando. Também não são poucas as vezes em que um companheiro passa na frente de um inimigo e esse não faz nada, quebrando drasticamente a imersão no clima tenso do jogo.

Cuidado com os bugs! Companheiros tagarelas podem entregar sua posição aos inimigos!

Outro problema acontece quando se morre perto do próximo checkpoint e o jogo volta a partir dele, sem que se tenha passado da parte em que se morreu. Isso aconteceu durante o gameplay desse review em alguns pontos como no cemitério ao enfrentar um grupo de estaladores, quando o último deles conseguiu matar Joel, o jogo continuou da área seguinte, como se todos os estaladores tivessem sido mortos e o checkpoint tivesse sido alcançado. A sequência com a camionete também sofre com o bug, o Joel morre com um estalador antes de entrar no carro e ao voltar o checkpoint já aparece dentro da camionete. Isso também se repetiu no inverno, na parte em que se joga com a Ellie, durante um confronto com um inimigo chave da etapa, muitos jogadores tem tido o mesmo problema em outros momentos e isso atrapalha um pouco na busca por um desafio maior. Esse bug e os demais felizmente podem ser consertados com atualizações, o que é animador, visto que seria injusto depreciar o jogo em função de detalhes que podem e vão ser consertados.

Ellie em ação

Os gráficos são um dos pontos altos do jogo. As expressões de Joel, Ellie e de todos os demais coadjuvantes são ricas em detalhes, os maneirismos de cada personagem, os detalhes nas roupas e na movimentação, tudo trabalhado nos mínimos detalhes. Joel não é nenhum garotão e se move de acordo com sua idade, quando corremos com o personagem, fica bem claro o peso da idade na movimentação do personagem, ao contrário da ágil e habilidosa Ellie quando ela é controlada pelo jogador. As texturas da água também impressionam bem como o movimento dos esporos ou mesmo das folhas no cenário, a variação de estações serve pra enriquecer ainda mais a paleta de cores e a variação das texturas. Na verdade os gráficos e animações estão tão bonitos que muitos estão questionando se existe mesmo a necessidade de uma nova geração tão imediatamente dada a capacidade do PS3 ainda poder gerar imagens tão bem trabalhadas.

A riqueza está nos detalhes dos gráficos do jogo

The Last of Us ainda conta com um modo + após o término da campanha, o que permite se recomeçar o jogo com as melhorias nas armas e habilidades adquiridas durante o gameplay anterior, apenas os colecionáveis voltam do zero. Além disso, o jogo também tem um multiplayer interessante chamado "facções" que funciona como um complemento ao universo do jogo onde o jogador opta por jogar com os Vagalumes ou Caçadores em busca de recursos e mantimentos pro grupo. Cada grupo enfrenta o outro em mapas da campanha principal, a cada adversário morto, mais peças o jogador acumula. Auxiliar os companheiros ou encontrar mantimentos no caminho também aumentam o número de peças acumuladas, o que depois é contabilizado no final da partida e conta como recurso pro grupo de sobreviventes escolhido.

O modo multiplayer complementa o universo do jogo garantindo ainda mais horas de diversão

Por esses motivos e outros tantos, The Last of Us é uma das melhores surpresas do ano. Mesmo com defeitos aqui e ali, o jogo surpreende. Uma trama que inova num gênero já desgastado com tantos jogos e filmes medianos, personagens carismáticos com uma profundidade incomum ainda nos games e conflitos dignos dos mais sofisticados dramas aliados a um gameplay rico e variado tornam The Last of Us um forte candidato a jogo do ano. Se vai vencer ou não, não importa. O que importa é a iniciativa da Naughty Dog em criar um jogo novo, com personagens cativantes, uma trama criativa e um gameplay desafiador e inteligente, sem que se deixe o jogo virar um mero filme interativo, bem como um jogo de tiro descerebrado, e sim uma experiência completa, profunda e significativa. Num mercado onde o mais seguro seria seguir com mais um jogo da franquia Uncharted, a Naughty Dog ousou e nos presenteou com um jogo sensacional. Parabéns pra Naughty Dog e que venham mais e mais jogos como The Last of Us.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Review - Injustice: Gods among us


Injustice: Gods among us é um jogo de luta da NetherRealm Studios, o segundo trabalho do estúdio responsável pela renovação da série Mortal Kombat em 2011, e é também fruto de uma parceria do estúdio com a editora de HQs DC Comics. Assim que saíram as primeiras notícias sobre o jogo os fãs dos personagens da DC Comics entraram em êxtase enquanto os fãs de jogos de luta logo começaram a temer por um novo “Mortal Kombat” com os personagens da DC e sem o principal elemento da série, os fatalities e todo seu gore. Injustice faz uso da Unreal Engine 3, também usada no Mortal Kombat de 2011 e cuja qualidade gráfica já começa a mostrar que uma nova geração de consoles está a caminho.

Batman em Injustice

O lançamento do jogo veio aplacar os fãs de jogos de luta e agradar em cheio os fãs de HQ. Injustice é um jogo de luta bem realizado, com identidade própria, uma mecânica fácil de aprender e colocar em prática ao mesmo tempo em que recompensa quem quiser se dedicar a dominar o estilo de jogo de cada personagem. É a máxima do “fácil de aprender, difícil de dominar” tão destacada nos jogos recentes, o que é bom pois agrada os mais variados públicos e distancia a série de jogos mais tecnicamente exigentes como a série Street Fighter da Capcom ou King of Fighters da SNK.

Mulher-Maravilha encara Superman

O jogo não é uma versão de Mortal Kombat com personagens da DC e sim um jogo de luta com elementos próprios como por exemplo a possibilidade de usar itens ou partes do cenário a seu favor durante a luta bem como a transição de cenários o que lembra muito o tipo de embate visto nos quadrinhos de super-heróis com os personagens lutando e destruindo tudo a sua volta no processo. É o ápice do “fan service”, principalmente com as referências ao fundo de cada cenário ao Universo DC dos quadrinhos.

Vale destacar as lutas no cenário dentro do Asilo Arkham onde o jogador pode arremessar o adversário dentro da cela do Espantalho e o mesmo aplica seu gás do medo no personagem antes de jogar ele pra próxima área do cenário. Na transição seguinte, se o jogador seguir jogando o adversário entre telas temos uma cela com o Pinguin, o Duas-Caras, o Crocodilo e o Charada que recebem o personagem e fazem um “corredor polonês” com ele causando dano a cada golpe. Essas transições de cenários são alcançadas com um golpe simples no oponente, fácil de executar e certamente recompensador caso o jogador acerte.

Interação com o cenário do Asilo Arkham

No cenário da Sala da Justiça aparecem a Giganta e o Esmaga Átomo lutando ao fundo, gigantes, tal qual nas HQs. Quando o golpe de transição de tela é executado com sucesso, o oponente é jogado na mão da Giganta que fecha o punho com o adversário do jogador dentro e acerta o Esmaga Átomo com a mesma mão, depois arremessa o oponente pra próxima transição de tela.

Giganta enfrenta Esmaga Átomo no fundo do cenário da Sala de Justiça

O jogo tem um modo história com uma trama envolvendo realidades paralelas e um evento chave que divide as duas realidades apresentadas na trama, pano de fundo típico das HQs da DC. O modo pode ser terminado em pouco mais de 3 horas e está diretamente interligado aos quadrinhos digitais lançados pela DC antes do lançamento do jogo, aumentando assim o conteúdo relacionado ao jogo aos fãs mais devotos. Injustice apresenta também um modo árcade tradicional com lutas entre personagens, contra vilões apenas ou contra heróis entre outras variações da mesma modalidade, cada variação destravada conforme o progresso do jogador dentro do modo. O modo multiplayer é igualmente satisfatório e não demorou pra oferecer adversários disponíveis logo que iniciado. O jogo ainda inclui o modo Laboratórios S.T.A.R. com vários desafios a serem completados, um modo envolvendo cartas colecionáveis dos personagens do jogo e os tradicionais bônus ao jogador com extras a serem destravados na medida em que o jogador acumula cartas que servem como moeda de troca no jogo.

As missões dos laboratórios S.T.A.R. acrescentam um modo de desafios semelhante à torre dos desafios de Mortal Kombat mas com missões voltadas aos poderes dos heróis da DC

Quem possui iPhone, iPod ou iPad pode jogar a versão gratuita com micro transações pra iOs do jogo, uma variação mais simplificada envolvendo um sistema de cartas de personagens pra orientar as lutas durante o jogo, cada carta equivale a um personagem que o jogador pode usar pra montar sua equipe durante as lutas. São lutas de 3 contra 3 e a cada luta, o jogador gasta um marcador de energia que uma vez esgotado, exige que o jogador aguarde recarregar pra que siga para a próxima luta. Cada carta de personagem tem upgrades disponíveis com novas habilidades e melhorias que podem ser destravados com moedas do jogo que são recebidas a cada vitória. O jogo lembra vagamente Batman: Arkham City Lockdown desenvolvido pela mesma NetherRealm Studios e que também consiste num jogo de luta só que mais tradicional e com a mesma qualidade gráfica notável, graças à versátil Unreal Engine 3. Vale destacar a versão mobile do jogo porque através do login na conta da Warner Interactive o jogador destrava conteúdo e skins alternativas tanto na versão pra console do jogo como na versão mobile. Não há necessidade de gastar com as micro transições do jogo a menos que o jogador queira destravar logo personagens e habilidades que ele pode destravar apenas com tempo de jogo.

Versão do jogo pra iOs

A versão nacional do jogo inclui skins alternativas de Arkham City pro Batman, a Mulher Gato e o Coringa, além de incluir um blu-ray da animação Liga da Justiça: Doom na versão pra PS3 e em DVD na versão pra XBOX 360. O jogo veio inteiramente dublado no Brasil pelas mesmas vozes utilizadas nas animações da Warner dos personagens da DC Comics. Salvo por um ou outro deslize na sincronização labial e uma ou outra troca de vozes de personagens, pode se dizer que a dublagem ficou muito boa, destacando a evolução das localizações de jogos no mercado nacional. Com tudo isso pode se dizer que Injustice é um jogo com bastante conteúdo e que agrada em cheio tanto fãs de jogos de luta como os fãs de HQs e que certamente vai render muitas horas de diversão.


Você pode encontrar Injustice: Gods Among Us pra PS3 ou XBOX 360 na Abraão Games, tanto na loja física ou na online.